sexta-feira, 1 de junho de 2007

Matéria: ONG orientará mulheres que querem abortar

Essa matéria foi publicada ontem, 31 de maio, no Yahoo Notícias, escrita pela Agência Estado. A matéria fala da ONG Bem-Estar Familiar no Brasil (BemFam) que pretende, em setembro, iniciar em Campinas projeto para orientar mulheres que desejam abortar. Informações sobre métodos abortivos, como remédios, serão dadas. A ONG viaja agora em junho para o Uruguai para receber treinamento. A organização está sendo financiada em U$ 150 mil pela Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF). Clique abaixo para ler a matéria na íntegra ou vá direto à fonte, aqui.


ONG orientará mulheres que querem abortar
Agência Estado

Diante da demora na tramitação de projetos no Congresso Nacional sobre a legalização do aborto no País, uma organização não-governamental decidiu adotar estratégia ousada. Em setembro, a Bem-Estar Familiar no Brasil (BemFam) inicia em Campinas um projeto para orientar interessadas em interromper a gravidez sobre métodos existentes e seus riscos. "Não vamos incentivar o aborto, apenas orientar mulheres para que optem pelo mais seguro", justificou o secretário-executivo da organização, Ney Costa. Uma abordagem definida por ele como redução de danos. "Se a mulher está convicta, o mínimo que podemos fazer é informá-la."

Entre os métodos explicados, está o uso do medicamento misoprostol, apresentado comercialmente como Citotec ou Cytotec. Ele é indicado para o tratamento de problemas gástricos, mas historicamente reconhecido por ser abortivo. No Brasil, seu uso é restrito a hospitais cadastrados, seja para casos de aborto previstos em lei ou para indução de parto.

O projeto brasileiro é inspirado na experiência de um hospital público do Uruguai, responsável por 20% dos partos naquele país. Integrantes do projeto brasileiro vão em junho ao Uruguai receber treinamento. No Brasil, o aconselhamento será ofertado em 15 unidades públicas de saúde, todas na cidade de Campinas. A meta é atender 3 mil mulheres, num prazo de dez meses. O projeto recebeu o financiamento de U$ 150 mil da Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF). As informações são de O Estado de S.Paulo.


4 comentários:

Tereza Perazza disse...

Imagino se isso não é ilegal. Não deixa de ser uma iniciativa bacana... Mas sendo o aborto ilegal no Brasil, não seria esse comportamento algo como "facilitar um crime", no linguajar de direito? A própria "Women on Waves" que faz trabalho semelhante, não pode chegar a tantas milhas marítimas perto de países que têm o aborto como ilegal. Bem, espero que funcione e que eles achem uma saída no meio das burocracias e ilegalidades.

Anônimo disse...

Ao ler a matéria fiquei com a mesma dúvida, Tereza. De qualquer forma, espero que esse projeto vingue porque as orientações que eles pretendem passar, certamente, salvarão a vida de muitas mulheres.

Tereza Perazza disse...

Parece que o Ministério Público em Campinas entrou com ação para investigar se existe apologia ao crime nesse ato. Mas li no Diário do Pará que o Temporão não acredita ser apologia ao crime, já o que o direito à informação é garantido por lei.

Anônimo disse...

De qualquer forma, há a figura da "desobediência civil", ou seja, uma forma de resistência pacífica a um poder (estatal ou não) opressor. Podemos pensar que a iniciativa da BENFAM tem essa característica de desobdiência civil. O irônico é que a iniciativa parta da BENFAM, uma organização que já esteve ligada à práticas de controle de natalidade que consideravam pouco a escolha das mulheres.